Considerando a relevância das relações Sul-Sul no estudo global das Relações Internacionais, esse artigo analisa a dimensão simbólica da cooperação Sul-Sul promovida pela política externa do governo Lula. Partindo dos estudos que aplicam a teoria da dádiva para analisar o regime simbólico dominante no campo da cooperação internacional para o desenvolvimento, a hipótese defendida é a de que a política externa do governo Lula mobilizou, de maneira inédita, um quadro simbólico bastante estruturado para definir sua cooperação Sul-Sul, que buscava substituir os vínculos sociais não-recíprocos e hierárquicos da ajuda como dádiva por outros baseados na reciprocidade e na contradádiva. Para ilustrar os aspectos evidentes e ocultos deste quadro simbólico, analisaremos a iniciativa Cotton-4, desenvolvida entre o governo brasileiro e os países africanos Benin, Burkina Faso, Chade e Mali.