O artigo apresenta a experiência de co-criação de um livro bilíngue (em Guarani e Português), produzido em colaboração com o povo Kaiowá do território retomado de Guaiviry Yvy Pyte Ojere (Mato Grosso do Sul/Brasil) e suas lideranças espirituais e intelectuais. Metodologicamente, vale-se da co-presença em longa duração via etnografia multissituada como estratégia afectiva e intersubjetiva que, ao mesmo tempo em que descreve a experiência de comunicação entre mundos ( e não a descrição de um mundo sob a ótica de outro), opera como encontro de saberes. As relações entre oralidade e escrita, as escolhas editoriais bem como os esforços de tradução linguística são tomados como fóruns cosmopolíticos com vistas à produção de diálogos interepistêmicos, sublinhando um gesto de descolonização do livro a partir de sua apropriação contra-colonial.