Este texto visa questionar um pós-colonialismo e uma interculturalidade de língua portuguesa. Partindo-se de uma breve análise crítica do conceito de cultura nos nossos dias, defenderemos uma abordagem descritiva (e não valorativa) de cultura, analisaremos o embate actual entre globalização e localização e defenderemos o conceito de transcultura para definir as relações culturais de hibridismo na contemporaneidade.Interrogaremos a possibilidade de traduzibilidade entre culturas e constataremos a polifonia cultural resultante do contacto entre forças endógenas e exógenas, ou seja, as relações de força entre o transnacional e o local, entre a cultura transnacional e a identidade nacional.Apesar de defendermos que a ideia de unidade na cultura lusófona não passa de uma falácia, abordaremos o papel da língua portuguesa, na perspectiva de uma dialéctica proximidade/distanciamento, na tentativa de sedimentação de interculturalidade nos países onde se fala português, sobretudo Portugal, Brasil, Angola e Moçambique.