No final do século XX, a construção de objeto duplo (COD) foi observada no Português Popular Brasileiro, em vários locais. Nesta estrutura, o objeto indireto (OI) pode ocorrer sem preposição e pode preceder ou suceder o objeto direto(OD). Lucchesi (2001) detectou a COD em comunidades de fala afro-brasileiras rurais no Estado da Bahia, e a propôs como um caso de reestruturação da gramática do português nas situações de contato que engendraram essas comunidades. Além do Brasil, a COD está documentada no português de Moçambique e de São Tomé, e está presente em muitas línguas crioulas lexificadas por línguas europeias que não apresentam essa estrutura. Este artigo discute a potencial contribuição do substrato como um gatilho para o desenvolvimento da COD no português das comunidades rurais afro-brasileiras estudadas pelo Projeto Vertentes, da Universidade Federal da Bahia, e no português dos tongas de São Tomé. A discussão considera dados de várias fontes: línguas da África Subsaariana, variedades do português africano e dados quantificados do português afro-brasileiro e tonga.