As práticas educativas dos povos Bantu têm sido frequentemente classificadas ora como tradicionais ora como não formais, sendo muitas vezes desconsideradas quanto à sua lógica e sistematização. Nesse contexto, o presente estudo problematiza a visão reducionista dessas práticas educativas e procura apresentar o seu carácter sistemático e organizativo. O objectivo geral consiste em analisar as práticas educativas dos povos Bantu de Angola no período pré-colonial, bem como ressignificar alguns conceitos por meio de uma abordagem decolonial e reflectir sobre possíveis transformações nas estruturas que fundamentam as práticas educativas contemporâneas. A relevância da pesquisa reside na valorização dos saberes e das experiências educativas africanas, contribuindo para o reconhecimento da sua importância histórica e para o fortalecimento de perspectivas decoloniais na educação angolana. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa e descritiva, fundamentada no método histórico, mediante levantamento e análise de fontes bibliográficas relacionadas às práticas educativas dos povos Bantu de Angola. Os resultados revelam que a educação dos povos bantus de Angola possuía uma organização sistemática, estruturada em estágios ou níveis de formação, que acompanhava o desenvolvimento dos indivíduos desde a infância até à idade adulta. Conclui-se que essas práticas educativas apresentavam princípios pedagógicos próprios, demonstrando coerência, intencionalidade e relevância socio-cultural, contrariando a ideia de que se tratava de uma educação desprovida de sistematização.