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CABO VERDE CANTA A LIBERDADE: DEMOCRACIA E CRÍTICA SOCIAL EM MÚSICA

Domaine:

natural language processing

Type de record:

paper
Créateur:
PerIpo
Éditeur:
Zenodo
Hôte:avatar
Este artigo percorre, em revisão narrativa cronológica, a relação entre música, liberdade e democracia em Cabo Verde. Parte-se da constatação de que a expressão musical tem sido, em muitas sociedades, um instrumento privilegiado tanto de manutenção quanto de contestação do poder. Após situar o tema em casos conhecidos, como o Clube da Esquina no Brasil da ditadura, a música de intervenção portuguesa do 25 de Abril e a nueva canción latino-americana, defende-se a escolha de Cabo Verde como objeto exemplar, por nele existir uma tradição musical de luta e de crítica social particularmente consolidada, que atravessa o período colonial, a luta de libertação conduzida pelo PAIGC de Amílcar Cabral, os anos de partido único e a transição para a democracia multipartidária instaurada em 1991. Argumenta-se, ao fim, que o caso cabo-verdiano ilustra de modo eloquente a ideia de que a democracia não se conquista de uma vez: ela se constrói e se reafirma no movimento cultural de cada dia, e a vitalidade da expressão musical crítica é, simultaneamente, sintoma de saúde democrática e garantia de que a vigilância não esmorece.

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