Neste estudo, faço a análise das interpretações do uso de demonstrativos em duas em duas gramáticas do kimbundu: Dias (1667); e Chatelain (1889). Assumo Lyons (1999), Diessel (1999), Guardiano (2009) e Levinson (2018) para descrever as propriedades semânticas, pragmáticas e morfossintáticas de demonstrativos. Parti da hipótese de que as duas gramáticas teriam descrições semelhantes, mas identifico a existência de divergências em relação à quantidade e às oposições de demonstrativos. Essas divergências podem ser explicadas principalmente por fatores extralinguísticos, como a percepção ou importância do fenômeno; o desenvolvimento de técnicas de impressão, de caracterização gramatical e de evolução dos estudos científicos; e objetivo da produção das gramáticas. Fatores intralinguísticos, como mudança e variação, não são conclusivos.