Este artigo tem por objetivo propor uma reflexão crítica acerca do enfoque na língua portuguesa como o idioma exclusivo na educação fornecida aos angolanos, levando-se em consideração a marcante diversidade linguística, uma vez que há o uso frequente de mais de 20 línguas nacionais. A predominância do português é decorrente de uma grande influência política integrativista colonial, o que continua sendo um imenso obstáculo no desenvolvimento de uma educação inclusiva, de modo que acaba por ignorar o real conhecimento linguístico da maioridade das crianças em Angola. Por meio de uma abordagem qualitativa, que possui uma base bibliográfica e documental, fundamentada no pensamento bourdieusiano e em diálogo com diversos outros estudiosos contemporâneos de Angola, apresenta-se uma análise de como a exclusão das línguas maternas corrobora com as desigualdades escolares, podendo ter como consequência processos de violência simbólica e comprometimento do direito de pertencimento do aluno. O artigo estrutura-se em três vertentes: (1) a influência histórica da língua portuguesa como mecanismo de exclusão; (2) a escola como ambiente de reprodução da língua predominante; (3) as repercussões causadas pela ausência das línguas maternas na rotina escolar. Por fim, fornecem-se algumas recomendações visando ao fortalecimento de uma política educacional bilíngue, que busque a pluralidade como fundamento pedagógico. Deste modo, conclui-se que há uma grande necessidade de reconhecer devidamente os idiomas nacionais como ferramentas de ensino, uma vez que se trata de uma questão ética e política extremamente importante para ultrapassar os obstáculos causados pelas desigualdades históricas que acabam sendo impostas pela monolinguagem educacional