Crises econômicas, guerras, conflitos internos, mudanças climáticas, entre outros, são apontados como os principais fatores que fizeram aumentar, desde o último século, o fluxo migratório no mundo e a demanda por refúgio. Os conflitos de África são assinalados como
disparadores da crise global de refugiados e de deslocamento e internalização de pessoas dentro das fronteiras daquele continente. Esta situação levou milhões de pessoas a fugirem dos conflitos e da vulnerabilidade extrema para outros destinos. Diante disso, elegemos como objetivo geral deste projeto estudar as representações sociais sobre as trajetórias migratórias e acadêmicas de mulheres negras oriundas de países africanos e caribenhos refugiadas no Brasil e cuja atuação acadêmica esteja lotada em universidades públicas do estado de São Paulo, de modo a verificar as relações que podem ser estabelecidas entre suas inscrições de gênero, raça, nacionalidade e status de refugiada com suas representações sociais, sobretudo no que toca à sua trajetória universitária. Para tanto, este trabalho se utilizará de diferentes estratégias metodológicas,
quais sejam levantamento documental e entrevistas individuais semiestruturadas, com base na orientação cartográfica. Espera-se com esta pesquisa elucidar os percursos trilhados por mulheres negras refugiadas, desde a decisão por retirarem-se de seus países de origem, às vivências do percurso entre países, à trajetória percorrida durante o processo de pleitear o status de refugiada e as experiências acadêmicas no contexto do refúgio.