Este texto tem o objetivo de discutir alguns aspectos da história intelectual de Cabo Verde por meio da análise dos significados dados à língua crioula pela geração intelectual claridosa a partir da década de 1930. Para isso, partiu-se do argumento de que o crioulo foi um instrumento para a conformação da identidade cabo-verdiana e tornou-se, através do discurso desses intelectuais, o símbolo da cabo-verdianidade. Foi analisado de que modo essa revalorização foi articulada e sob quais propósitos políticos, em diálogo com o luso-tropicalismo de Gilberto Freyre. Para a pesquisa, priorizou-se as fontes escritas publicadas na época, em Cabo Verde e em Portugal.