Nascido em Caiena, Guiana Francesa, em 1944, Élie Stephenson é um dos grandes escritores guianenses. Autor de diversos livros, passeando entre os mais diferentes gêneros como a poesia, o romance, o conto e o teatro, sua obra traz a marca de um ativismo pleno de lirismo e coragem. Em seu teatro, a relação entre estes termos dá especial relevância ao problema do confronto entre modos de vida distintos, marcados, especialmente, pela oposição entre guianenses e metropolitanos, o que o permite criticar de forma contundente a problemática relação colonialista da França com a Guiana. Escritas, como o próprio autor declara, para o povo, suas peças funcionariam, assim, como dispositivo de desalienação e resistência à dominação francesa, dominação esta que Élie, assim como Nora, sua esposa, não cessam de denunciar. Isso explica o lugar de destaque que o crioulo da Guiana tem em sua literatura dramática. Construindo um espaço de intimidade, o uso desta língua possibilita a seu autor circunscrever um conjunto de questões que, por esta via, podem deixar o corpo individual do escritor e reverberar como singularidade pela adjunção do coro de vozes que de fato a enuncia: o povo. E se, ao contrário de sua obra poética, tão vasta quanto suas peças, seu teatro parecia fadado a não deixar o espaço do manuscrito, de uns tempos para cá, ele vem sendo editado, como prova a publicação, em 2018, do livro Œuvre Théâtrale Inédite.