A experiência de Paulo Freire na participação das campanhas de alfabetização de São Tomé e Príncipe possuiu diferentes repercussões na América Latina. Alguns educadores deste continente passaram pelo arquipélago africano e afirmaram ter sido aquela uma importante referência para outras que colaborariam depois em terras latino-americanas – foi o caso do mexicano Arturo Ornelas e do chileno Antonio Faundez. Por outro lado, um dos escritos de Paulo Freire em São Tomé e Príncipe teve ao menos duas edições deste lado do mundo: no Equador e no México. Trata-se das Cartas aos animadores e às animadoras culturais, publicadas originalmente como manuscrito nas ilhas em 1978. Tal documento é bastante interessante por se dedicar, com profundidade, sobre o funcionamento dos Círculos de Cultura em perspectiva aplicada a respeito do uso dos Cadernos de Cultura Popular e da atuação de alfabetizadores junto a alfabetizandos. Nas edições dos livros em países latino-americanos, analisa-se e compara-se o trabalho santomense com outras experiências locais. Trataram-se, portanto de teorias, práticas e pessoas que circularam, fisicamente ou não, entre distintas e distantes comunidades, contribuindo para a alfabetização de adultos por meio de uma concepção libertadora.