O presente artigo examina a necessidade moral de africanizar o currículo de Filosofia em Angola, a partir de uma adaptação teórica centrada na reflexão sobre a injustiça epistémica e nos fundamentos éticos kantianos e utilitaristas que sustentam tal obrigação. Inspirando-se no artigo do filósofo nigeriano Edwin Etieyibo, o texto insere-se no debate contemporâneo sobre a autodeterminação do ensino e do pensamento filosófico em África, em particular em Angola. Nesse contexto, os fundamentos éticos kantianos e utilitaristas justificam a africanização do currículo filosófico angolano como via para curar tanto a injustiça hermenêutica quanto a injustiça testemunhal. O artigo apresenta um objectivo geral e três objectivos específicos. A metodologia utilizada segue uma abordagem qualitativa, de base bibliográfica, apoiando-se em normativos legais e textos de filósofos africanos contemporâneos como José Imbamba, Luís Kandjimbo, Edwin Etieyibo, Jonathan Chimakonam, Paulin Hountondji, Munamato Chemhuru, Francis Nyamnjoh, entre outros autores referenciados na bibliografia final. O método adoptado é analítico e discursivo, com fundamentação em livros, artigos académicos e sumários temáticos. Conclui-se que a africanização do currículo de Filosofia em Angola constitui uma exigência moral inadiável seja pelos critérios kantianos, que apelam ao respeito pela autonomia e dignidade dos angolanos, seja pelos critérios utilitaristas, que visam à maximização do bem colectivo no contexto educativo e cultural angolano.
Palavras-chave: Injustiça Epistémica, Currículo de Filosofia, Obrigações Morais.