O presente artigo analisa uma experiência pedagógica desenvolvida no âmbito do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID). O objetivo é compreender em que medida uma oficina pedagógica, fundamentada nos conceitos geográficos de lugar, território e paisagem, pode atuar como instrumento de mediação didática na construção de uma leitura crítica das relações entre racismo e espaço geográfico. A pesquisa, de natureza qualitativa e caráter interventivo, foi realizada com estudantes do Ensino Fundamental II em um colégio público, tendo como eixo a construção de uma maquete do território quilombola Kalunga, localizado em Cavalcante (GO). A atividade foi concebida na perspectiva histórico-cultural, compreendendo a maquete como um signo mediador que possibilita a articulação entre linguagem, pensamento e ação, contribuindo para a elevação das funções psicológicas superiores dos estudantes. Os dados foram produzidos por meio de observação participante, registros em diário de campo e análise das falas e produções dos alunos, sendo interpretados a partir de categorias como consciência territorial, leitura espacial do racismo e articulação escalar. Os estudantes passaram a entender o racismo como uma estrutura que se expressa geograficamente, manifestada nas desigualdades socioespaciais que observam em seu dia a dia. Conclui-se que a oficina, enquanto instrumento de mediação didática, contribuiu para a construção de uma leitura geográfica crítica da realidade, evidenciando o papel do ensino de Geografia na promoção de uma educação antirracista.