Logo Lanfrica

A ANATOMIA DO CUIDADO: ARQUITETURA PARA ESPAÇOS DE SAÚDE COMO INFRAESTRUTURA SOCIAL E CATALISADORA DA ATENÇÃO PRIMÁRIA

Domaine:

healthcare

Type de record:

paper
Créateur:
SOU
Éditeur:
Zenodo
Hôte:avatar

Este artigo consolida os resultados obtidos nas disciplinas de doutorado da FAUUSP, AUP 5827 - O Projeto Contemporâneo como Pesquisa em Arquitetura (coord. Prof. Dr. Francisco Spadoni) e AUP 5903 - Pesquisa em Projeto de Arquitetura I (Profs. Drs. Anália Amorim, Helena Ayoub, Rafael Perrone e Tatiana Sakura), nas quais a pesquisa foi distinguida com conceito máximo. A partir dessa fundamentação, o estudo propõe uma reavaliação crítica dos espaços de saúde, partindo da premissa de que a saúde — conforme preconizado pela OMS — constitui um estado de bem-estar integral que transcende a dimensão clínica. Argumenta-se que uma lacuna historiográfica, consolidada pela exclusão de tipologias assistenciais na exposição de 1932 do MoMA, marginalizou o potencial desses espaços como dispositivos de engajamento social e catalisadores da Atenção Primária à Saúde (APS).

A investigação fundamenta-se na análise de paradigmas que articulam rigor formal e sensibilidade humana, resgatando o valor ontológico de obras seminais como os sanatórios de Paimio (Alvar Aalto) e Zonnestraal (Jan Duiker). Através do diálogo entre esses marcos e a práxis contemporânea de João Filgueiras Lima (Lelé) e Diébédo Francis Kéré, demonstra-se como o domínio projetual permite a "naturalização" do ambiente clínico. No caso da Clínica Cirúrgica de Léo (Burkina Faso), a dissolução da rigidez institucional opera-se pela modulação e pelo uso de materiais vernáculos. Sua configuração espacial mimetiza a morfologia das aldeias locais, convertendo zonas intersticiais de sombra em espaços de acolhimento familiar e coesão coletiva, onde a espera é ressignificada como ato de convivência urbana.

Os resultados evidenciam que, ao integrar-se à trama social cotidiana, a arquitetura deixa de ser um objeto técnico isolado para se consolidar como infraestrutura de cuidado coletivo. Conclui-se que o projeto, ao fomentar a dignidade humana e a coesão social, cumpre o mandato da APS de ser a porta de entrada para um sistema de saúde verdadeiramente inclusivo, posicionando o espaço construído como uma ferramenta indispensável de justiça social.

This article consolidates the outstanding research outcomes achieved within the doctoral programme at the Faculty of Architecture and Urbanism of the University of São Paulo (FAUUSP). Developed across the seminars “AUP 5827 – Contemporary Design as Architectural Research” (co-ordinated by Prof. Dr Francisco Spadoni) and “AUP 5903 – Research in Architectural Design I” (led by Professors Anália Amorim, Helena Ayoub, Rafael Perrone, and Tatiana Sakura), the work was awarded the highest academic distinction. Building upon this rigorous foundation, the study proposes a critical reassessment of healthcare architecture, predicated on the premise that health—as defined by the WHO—constitutes a state of holistic well-being that transcends the clinical dimension. It argues that a persistent historiographical gap, entrenched by the exclusion of social assistance typologies from MoMA’s seminal 1932 exhibition, has marginalised the potential of these spaces to function as catalysts for Primary Health Care (PHC) and hubs for social engagement.

The investigation is grounded in the analysis of paradigms that articulate formal rigour and human sensitivity, reclaiming the ontological value of seminal works such as the Paimio (Alvar Aalto) and Zonnestraal (Jan Duiker) sanatoria. Through a dialogue between these modern landmarks and the contemporary praxis of João Filgueiras Lima (Lelé) and Diébédo Francis Kéré, the study demonstrates how design mastery enables the ‘naturalisation’ of the clinical environment. In the case of the Léo Surgical Clinic in Burkina Faso, the dissolution of institutional rigidity is operated through modularity and the use of vernacular materials. Its spatial configuration mimics the morphology of local villages, converting interstitial shaded zones into spaces of familial welcome and collective cohesion, where the act of waiting is redefined as an instance of urban conviviality.

The findings evidence that, by integrating into the everyday social fabric, architecture ceases to be an isolated technical object and establishes itself as an infrastructure of collective care. The study concludes that design, by fostering human dignity and social cohesion, fulfils the PHC mandate of being the gateway to a truly inclusive health system, positioning the built environment as an indispensable tool for social justice.

El presente artículo consolida los resultados obtenidos en las asignaturas de doctorado de la FAUUSP, AUP 5827 - El Proyecto Contemporáneo como Investigación en Arquitectura (coord. Prof. Dr. Francisco Spadoni) y AUP 5903 - Investigación en Proyecto de Arquitectura I (Profs. Drs. Anália Amorim, Helena Ayoub, Rafael Perrone y Tatiana Sakura), en las cuales la investigación fue distinguida con la calificación máxima. A partir de esta fundamentación, el estudio propone una reevaluación crítica de los espacios de salud, partiendo de la premisa de que la salud —según lo preconizado por la OMS— constituye un estado de bienestar integral que trasciende la dimensión clínica. Se argumenta que un vacío historiográfico, consolidado por la exclusión de las tipologías asistenciales en la exposición de 1932 del MoMA, marginalizó el potencial de estos espacios como dispositivos de compromiso social y catalizadores de la Atención Primaria de Salud (APS).

La investigación se fundamenta en el análisis de paradigmas que articulan rigor formal y sensibilidad humana, rescatando el valor ontológico de obras seminales como los sanatorios de Paimio (Alvar Aalto) y Zonnestraal (Jan Duiker). A través del diálogo entre estos hitos y la praxis contemporánea de João Filgueiras Lima (Lelé) y Diébédo Francis Kéré, se demuestra cómo el dominio proyectual permite la "naturalización" del ambiente clínico. En el caso de la Clínica Quirúrgica de Léo (Burkina Faso), la disolución de la rigidez institucional se opera mediante la modulación y el uso de materiales vernáculos. Su configuración espacial mimetiza la morfología de las aldeas locales, convirtiendo zonas intersticiales de sombra en espacios de acogida familiar y cohesión colectiva, donde la espera es resignificada como un acto de convivencia urbana.

Los resultados evidencian que, al integrarse en la trama social cotidiana, la arquitectura deja de ser un objeto técnico aislado para consolidarse como infraestructura de cuidado colectivo. Se concluye que el proyecto, al fomentar la dignidad humana y la cohesión social, cumple el mandato de la APS de ser la puerta de entrada a un sistema de salud verdaderamente inclusivo, posicionando el espacio construido como una herramienta indispensable de justicia social.

Similaires