Schadeberg (2003), baseando-se em estudos realizados em várias línguas Bantu, reconstituiu onze extensões verbais do Proto-Bantu (PB) que, na sua óptica ocorrem em todas as línguas e têm a mesma estrutura canónica -VC-. Entre as extensões reconstituídas, consta a causativa *-i-/-icil-. Segundo o autor, as extensões causativas podem ser usadas em verbos transitivos e intransitivos de estrutura -CV ou -CVC- para introduzir um novo argumento que tem como função sintática indicar o sujeito e semanticamente indicar o agente causador. Nas construções causativas, há duas fases: a fase causadora e a fase causada. Na literatura, considera-se igualmente que há, pelo menos, três tipos de causativas: a morfológica, a sintética ou lexical e a analítica ou perifrástica (Cò 2012, Payne 1997). As causativas analíticas ou perifrásticas são aquelas em que a causativização é expressa por meio de um verbo causal separado. Nelas, há predicados separados expressando a noção de causa e de efeito. Por conseguinte, em construções deste tipo, a causalidade é expressa pelo uso de dois predicados, em que um é um verbo causativo que codifica o evento da causação e outro é um verbo lexical que codifica o evento causado (Cò 2012; Silva 2009). O propósito deste trabalho é contribuir para a documentação da língua através da descrição e apresentação de uma proposta de análise da estrutura argumental das causativas analíticas, concretamente, sobre o núcleo que introduz, nestas construções, a fase causada. Teoricamente, o nosso debate irá assentar-se em Mioto et al (2013), Macalane (2013) e Hale e Keyser (1993, 2002).