dx.doi.org presente artigo objetiva oferecer uma visão geral do processo de introdução do Ensino Bilíngue (EB) em Moçambique. Aborda os percursos traçados nesse processo, e alguns dos problemas e desafios daí decorrentes, sobretudo o convívio conflituoso entre as Línguas Bantu e o Português, tendo em conta o contexto sociocultural do país, caracterizado por uma diversidade linguística, étnica e cultural. O trabalho apresenta também o modelo transicional, que foi adotado por Moçambique no processo de introdução do EB, além de algumas opiniões avaliativas sobre esse modelo, assim como sobre o EB de modo geral. Para o estudo, realizou-se uma pesquisa bibliográfica em materiais anteriores acerca do assunto, duas conversas com dois pesquisadores da área, e, por fim, foi considerada a experiência da própria autora como falante e pesquisadora de uma Língua Bantu (LB). No que respeita ao referencial teórico, o trabalho baseou-se nas perspectivas de Patel (2006), Chambo (2013), Severo (2014), Sitoe (2014), entre outros. Verificou-se que, desde a introdução do EB, acadêmicos e sociedade, embora reconheçam que há ainda problemas por solucionar, avaliam-no positivamente e acreditam ser um projeto sério e capaz de resolver os problemas pedagógicos existentes no sistema de educação de Moçambique (SITOE, 2014). Observou-se também que o Ensino Bilíngue em Moçambique trouxe mais inclusão tanto das línguas como dos sujeitos, seus falantes, pois usar as línguas dos indivíduos na sua educação e na educação de seus filhos permite que esses sujeitos usem suas línguas em outros meios no seu dia a dia.