Os povos Tupinambá, originários do litoral brasileiro, têm uma longa trajetória marcada pela resistência cultural e territorial frente aos processos coloniais e contemporâneos. A cosmologia do povo Tupinambá da Serra do Padeiro, situada no sul da Bahia, sustenta uma concepção holística de saúde, que integra dimensões físicas, espirituais, socioculturais e ambientais. Por meio de uma abordagem etnográfica, com utilização de entrevistas abertas e análise de narrativas, identificou-se que a saúde é compreendida como equilíbrio dinâmico entre corpo, mente, espírito, coletividade e natureza, enquanto a doença representa a ruptura dessa harmonia integradora. O cuidado tradicional envolve práticas como rezas, banhos com ervas, defumações e uso de plantas medicinais, articuladas pela atuação dos pajés e das anciãs, e orientadas por saberes ancestrais, transmitidos oralmente ao longo das gerações. Observa-se ainda uma relação complementar entre os conhecimentos tradicionais e a medicina alopática, especialmente em contextos em que há reconhecimento intercultural e respeito às epistemologias indígenas. A pesquisa evidencia que a saúde para os Tupinambá está intrinsecamente ligada ao vínculo com o território, à resistência política e à preservação cultural. Os resultados reforçam a importância da valorização dos saberes indígenas tradicionais e da incorporação dessas epistemologias nas políticas públicas para a saúde indígena, visando a construção de práticas de cuidado mais integrativas, culturalmente contextualizadas e sensíveis, que promovam a equidade e a autonomia dos povos indígenas.